Menu
Projetos e Obras
Busca
Arquitetura inca

Visão panorâmica de Machu Picchu, sítio arqueológico que conserva a maior parte da arquitetura inca (Foto: Pixabay)

Conteúdo Matérias

Arquitetura inca: monumentos como a mais alta expressão artística

28/04/2021

A América carrega parte da história da humanidade. Conheça a arquitetura inca, que se desenvolveu com práticas totalmente diferentes das do Velho Mundo!

Muito do que entendemos como “civilização” vem da Europa. Indígenas, maias, astecas e outros povos eram vistos como bárbaros. No entanto, apesar de não terem sistemas políticos e sociais semelhantes aos do Velho Mundo, vários conseguiram se desenvolver com recursos avançados.

Se preferir, clique no play abaixo para ouvir o artigo completo:

Um grande exemplo é a arquitetura inca, que foi desenvolvida sem o uso da roda ou de um sistema de escrita que pudesse registrar os seus estudos, mas conseguiu construir edificações mais resistentes que as feitas pelos espanhóis.

Neste artigo, você vai entender muito mais sobre a história e os expoentes da arquitetura inca. Confira!

História da civilização inca

Templo das Três Janelas, construído com a técnica de cantaria
Templo das Três Janelas, construído com a técnica de cantaria (Foto: Pixabay)

Uma das civilizações mais importantes da história da humanidade, o Império Inca foi o maior da América Pré-colombiana. Situado na região dos Andes, tinha como capital Cusco (Peru), que até hoje conserva vestígios da arquitetura desse povo.

Segundo os incas, Cusco é o “umbigo do mundo”. A antiga capital do império, supostamente escolhida pelo deus sol, hoje abriga tanto a arquitetura inca quanto a espanhola.

Os incas eram um povo quíchua, grupo de indígenas andinos da América do Sul que falam a língua de mesmo nome. Ele existe até hoje, apesar de grande parte de suas civilizações ter sido dizimada.

Foram quase 100 anos de soberania na região, que foi à ruína com as guerras e doenças levadas pelos espanhóis.

Durante esse tempo, os incas conseguiram anexar diversos territórios utilizando diferentes estratégias de conquista, incluindo assimilação pacífica. No geral, o império se estendia por áreas que hoje pertencem a países como Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Argentina e Chile.

Antes dos incas, uma série de grupos já havia habitado a região. Os principais eram os chavín, que dominaram entre os anos de 900 a.C. e 200 a.C. Os incas viviam em Cusco desde, pelo menos, o ano 1000, mas foi apenas a partir do século XV que eles começaram a investir em centralização e conquista territorial.

Características da arquitetura inca

A mistura de construções atuais com a arquitetura inca é muito presente no Peru
A mistura de construções atuais com a arquitetura inca é muito presente no Peru (Foto: Pixabay)

A arquitetura era algo importante para o Império Inca. Os construtores se preocupavam com técnicas precisas e detalhadas — tanto que o corte de pedras grandes, que serviam para edificações, era feito com base em cálculos.

Esse desenvolvimento arquitetônico permitiu a construção de diversas edificações grandes e resistentes, como casas, aquedutos, palácios e fortes. Além disso, os incas construíam templos com base em observações astronômicas.

Outra característica importante era o uso de formas retangulares em vez das circulares.

As construções dos agricultores eram feitas com uma mistura de barro e palha, enquanto os nobres e funcionários do alto escalão tinham residências de pedra.

Os incas também conseguiram desenvolver a policromia, o que possibilitou o uso de diversas cores em objetos cerâmicos para ocasiões específicas, como rituais religiosos ou fúnebres.

O Império Inca foi único por conseguir se desenvolver sem ter características comuns do Velho Mundo. Eles não conheciam (ou não utilizavam) a roda, o ferro e a tração animal, nem tinham um sistema de escrita.

No entanto, nada disso impediu o vasto desenvolvimento da arquitetura inca. Eles usavam a cantaria, ou seja, a talha de grandes blocos de rocha para a construção de objetos geométricos. Além disso, criaram uma grande rede de estradas que conseguia atingir os quatro cantos do império.

Por fim, utilizavam um sistema de cordas atadas (quipu) para mandar mensagens ao reino inteiro — as mensagens eram “escritas” com nós. Eles também inovaram na agricultura em um ambiente difícil, incluindo a organização e gestão do trabalho e dos trabalhadores.

Principais obras da arquitetura inca

Os espanhóis dizimaram o povo, mas não apagaram o seu legado. Hoje, a arquitetura inca mostra a importância desse império perante a crueldade dos ataques europeus.

Confira resquícios da arquitetura inca que perduram — tanto por sua técnica quanto por sua localização estratégica.

Machu Picchu

A altura da cidade de Machu Picchu permitiu a preservação da arquitetura inca
A altura da cidade de Machu Picchu permitiu a preservação da arquitetura inca (Foto: Pixabay)

Localizada no alto da Cordilheira dos Andes, no topo de uma montanha a 2430 m acima do mar, Machu Picchu é próxima de Cusco, a antiga capital do Império Inca.

Na linguagem quíchua, machu picchu significa “velha montanha”.

A altura da cidade, aliás, provavelmente foi o que salvou a arquitetura inca local. Por ser de difícil acesso, Machu Picchu não foi encontrada e dizimada pelos espanhóis, como aconteceu em outros territórios.

A cidade só foi descoberta em 1911 pelo explorador norte-americano Hiram Bingham. Até hoje, 30% da estrutura original pode ser visitada pelos turistas.

Machu Picchu conseguiu uma façanha inimaginável para muitos arquitetos e engenheiros: aliar um centro urbano a paisagens extraordinárias. Por isso, faz parte das Sete Maravilhas do Mundo Moderno e é um Patrimônio Cultural da Humanidade.

História

Pachacuti foi o nono Sapa Inca (governante) do Curacado de Cusco, a primeira fase do desenvolvimento da civilização inca que se transformou, durante o seu governo, em império (tahuantinsuyu ou “mundo dos quatro cantos”, pois era dividido em quatro partes).

A maioria dos arqueólogos acredita que foi ele quem resolveu criar uma llacta (cidade artificial planejada e construída pelo império) em Machu Picchu, transformando-a no sítio arqueológico que conhecemos hoje.

Como acontecia com a arquitetura medieval, os incas queriam usar a sua engenharia para se aproximar dos deuses. No entanto, em vez de templos colossais, o império erguia as suas construções em montanhas gigantescas. Além disso, grande parte de Machu Picchu foi feita com pedras, material considerado sagrado pelo povo.

Outra característica importante era o interesse por astronomia. A escolha de um local tão alto também se deu por conta disso.

Machu Picchu tinha características semelhantes a qualquer cidade dos dias de hoje, com casas, praças, templos, cemitérios e aquedutos.

Intihuatana

O intihuatana é o principal ponto sagrado da arquitetura inca
O intihuatana é o principal ponto sagrado da arquitetura inca (Foto: Wikimedia Commons)

O relógio de sol (intihuatana: “onde o sol é amarrado”, em quíchua) de Machu Picchu é mais uma das relíquias que mostram o interesse dos incas pela astronomia. Entalhada em forma de polígono, é uma construção de pedra com 1 m de altura e 2 m de diâmetro.

Ele encabeça as construções sagradas, já que está no ponto mais alto do sítio arqueológico — portanto, mais próximo do divino.

O Monólito do Intihuatana não pode ser tocado. Por isso, turistas estendem a mão por cima para “captar” a energia dele. Mas além de sacro, o relógio de sol mostrava os quatro pontos cardeais, auxiliava nos ciclos de agricultura, tinha ligação com os estudos astronômicos e, claro, registrava a passagem do tempo.

A arquitetura inca contava com vários intihuatana. No entanto, no final do século XVI, o vice-rei Francisco de Toledo e o clero destruíram todos os que encontraram, pois acreditavam que a fé quíchua era uma blasfêmia e que o significado religioso do relógio poderia ser um risco político.

Mas assim como toda a cidade, o relógio de Machu Picchu foi encontrado intacto por Bingham em 1911, indicando que os espanhóis não o acharam.

Templo do Sol

Também chamado de Templo de Qorikancha, o Templo do Sol servia de culto ao deus de mesmo nome
Também chamado de Templo de Qorikancha, o Templo do Sol servia de culto ao deus de mesmo nome (Foto: Wikimedia Commons)

O sol era a divindade mais importante para os incas. Para homenageá-lo e fazer oferendas, o povo construiu o Templo de Qorikancha ou o Templo do Sol.

Mas, é claro, ele também foi construído para a observação de corpos celestes pelos sacerdotes. Nele, habitavam o sumo sacerdote, o Sapa Inca e as acllas (mulheres de beleza singular), que viviam sob os cuidados das mamaconas (sacerdotisas).

As suas paredes eram cobertas por lâminas de ouro sólido e estátuas douradas, incluindo uma grande representação do deus Huiracocha. Já a estrutura, construída em uma caverna natural, foi feita com blocos de granito que pertencem ao estilo imperial inca.

É possível acessar o templo por uma porta trapezoidal dupla. Toda a sua estrutura foi feita com zelo: as paredes, erguidas com pedras irregulares, são montadas perfeitamente. Uma delas conta com uma curvatura de 10 m. Além disso, há uma reta e outra semicircular com duas janelas — uma virada para o norte e outra para o leste.

Destino

Na tomada do Império Inca pelos espanhóis, eles destruíram boa parte do Templo de Qorikancha, aproveitando a estrutura de pedra e a técnica inca para a construção do convento de dominicanos e a Igreja de Santo Domingo.

Curiosamente, um terremoto na década de 1950 destruiu a construção dos padres e expôs novamente o templo, que resistiu firmemente aos abalos. Hoje, ele ocupa mais da metade da atual Igreja de Santo Domingo.

Como vimos, a arquitetura inca era algo totalmente único — tão especial que conseguiu se preservar por mais de 500 anos após o fim do império.

A América, aliás, é o berço de vários povos que conseguiram desenvolver modelos de construção totalmente inovadores para os padrões de suas épocas, sem que houvesse interferências intercontinentais.

Nesse contexto, conheça um pouco mais da arquitetura asteca 

Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *