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Arquitetura em restaurantes: desperte o desejo de consumo dos clientes

13/06/2018

A arquitetura em restaurantes é cheia de particularidades. Para entendê-las, nada melhor do que alguns casos reais, não é? Neste artigo, você vai conhecer histórias e dicas de quem colocou a mão na massa e criou ambientes encantadores capazes de despertar o desejo de qualquer consumidor!

Em julho de 2016, grandes arquitetos e célebres bons vivants do mundo dos negócios lamentaram a retirada do restaurante The Four Seasons do local original — o edifício Seagram, em Nova York — que ele havia ocupado por quase seis décadas. O ponto era um símbolo do poder da arquitetura em restaurantes.

O edifício em si é obra de Mies van der Rohe, e o interior do restaurante foi concebido pelo ícone da arquitetura moderna Philip Johnson. “Por décadas, o restaurante Four Seasons foi um espaço a prover um raro fenômeno no modernismo: um lugar em que a arquitetura, a disposição das mesas, o serviço, a comida e até a clientela eram uma peça”, declarou o crítico de arquitetura e design Aaron Betsky, em entrevista à Dezeen.

Grande parte dos móveis, como cadeiras e poltronas, era assinada por van der Rohe e Johnson. Detalhes de bronze e mármore Carrara espalhados pelo local, as paredes de vidro e as quatro árvores no centro do salão principal (trocadas segundo a estação) tornaram o restaurante um ícone em Nova York — e epicentro dos “power lunches”, os grandes encontros executivos.

Esse exemplo ilustra como a arquitetura em restaurantes vai muito além de simplesmente fornecer um espaço para alimentação. Ela é parte essencial da identidade do lugar e pode despertar o desejo de consumo dos clientes.

Neste artigo, conversamos com duas arquitetas para entender como elas percebem essas características e separamos três aspectos indispensáveis para você considerar em seus projetos de restaurante. Veja mais!

Entenda e aplique o conceito

No final de 2016, a arquiteta Juliana Silva, sócia do escritório paulista Go Up Arquitetura, tinha um desafio: ajudar Maurício Bakhos e Walter Santos a encontrar uma casa em São Paulo para o restaurante Let’s Go Light.

Além de fazer o projeto para o restaurante (cadastrado aqui no Archtrends Portobello), ela auxiliou a dupla a encontrar o ponto onde atuaria. A decisão foi pela rua Surubim, no Brooklin. Desde a escolha do lugar — uma residência, originalmente — Juliana já estava de olho em um ponto essencial para considerar na arquitetura em restaurantes: o conceito.

Projeto desenvolvido pela arquiteta Juliana Silva

A ideia era criar um ambiente para jovens executivos almoçarem e oferecer um cardápio mais saudável. Esses pontos foram levados em conta na hora de realizar o projeto, e Juliana dá a dica:

“Mais do que ficar bonito, tem que ter uma identidade visual que seja adequada aos clientes que vão frequentar aquele lugar. O que a gente faz é entrar muito nessa concepção e entender a fundo qual é o público-alvo daquele cliente.”

Projeto desenvolvido pela arquiteta Juliana Silva

O Go Up procurou traduzir na arquitetura o principal conceito do restaurante, a comida “saudável, mas com sabor”. “O ambiente contribui para essa vida saudável. Fizemos uso de muitas plantas, um bom paisagismo e um ambiente bastante claro”, pontua a profissional. Ela instalou tetos transparentes de policarbonato que deixam passar bastante luz natural.

Fernte do restaurante projeto da arquiteta Juliana Silva

Outra proposta do restaurante é despertar o desejo do cliente antes mesmo que ele adentre o espaço. As peças coloridas de porcelanato hexagonal escolhidas para revestir o interior do restaurante (inclusive a cozinha) se estendem pela murada exterior, para além do portão, e integram o Let’s Go Light à rua. Além disso, um grande cardápio feito em quadro negro fica ao lado do portão, o que faz com que as pessoas parem para ler antes de entrar.

Outro olhar

A arquiteta Nathália Montans (que já apareceu por aqui em entrevista contando mais da sua história), de Londrina, Paraná, também considera a atenção ao conceito uma parte essencial do trabalho de arquitetura em restaurantes. Em 2014, ela reformulou o La Palme Bistrô, especializado em comida francesa (e também cadastrado no Archtrends Portobello).

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

“A ideia é um bistrô francês, e a gente queria dar uma pegada um pouco mais retrô”, conta a arquiteta. Para concretizar esse conceito, ela apostou nas cores e decoração: “Um ponto de partida foi escolher cores mais quentes, mais fechadas, como vinho, verde-musgo, preto…

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

E, no mobiliário, você pode ver que as cadeiras são todas diferentes umas das outras, porque a gente trabalhou muito o resgate da história, pegou vários móveis e reformou”.

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

O projeto de Nathália segue também a ideia de ressaltar a identidade do negócio a partir da arquitetura, um ponto essencial para o trabalho com empreendimentos comerciais, especialmente restaurantes.

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

“Uma coisa legal, falando em história nesse projeto, é que ele chama La Palme porque tem uma palmeira que passa dentro do restaurante. Se você olhar a extensão do restaurante, onde ele avançou para a rua, percebe que a gente fez questão de manter essa palmeira, porque é original da cidade — há palmeiras que ficam na Avenida Higienópolis, uma das principais de Londrina, de quando a cidade se iniciou”, relembra.

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

Desenvolva a funcionalidade

A estética precisa ser aliada à funcionalidade. Ela diz respeito à utilização efetiva do estabelecimento — à preparação dos alimentos, à alimentação, à higiene etc. — e, claro, ao bem-estar do consumidor. Nathália Montans afirma:

“Antes de tudo, a gente se preocupa com o bem-estar, com o cliente se sentir bem no espaço. Tem que ter uma iluminação adequada e uma decoração aconchegante, mesmo que seguindo determinado estilo.”

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

No La Palme Bistrô, ela aliou o retrô a revestimentos funcionais, por exemplo. “A gente brincou com o piso. Utilizou o Ampla, porque ele não é um ladrilho hidráulico, mas remete à ideia dos ladrilhos antigos; então tem essa ideia do retrô, mas é um revestimento contemporâneo, porque tem toda essa questão da vigilância sanitária e tudo mais.”

Projeto de restaurante da arquiteta Nathália Montans

Juliana, da Go Up Arquitetura, também é muito atenta à funcionalidade. Para escolher o local em que projetou o restaurante e mesmo a opção de mobiliário, considerou que ele teria alto giro durante o almoço — ou seja, deveria ficar relativamente cheio com clientes diferentes mais de uma vez por dia. “É para que a pessoa se sentisse bem lá dentro, mas não quisesse ficar uma hora, uma hora e vinte. É para uma refeição rápida”, ressalta ela.

Fachada do restaurante projetado por Juliana Silva

Outro ponto importante é atentar à circulação das pessoas no espaço. “No caso desse restaurante, era uma moradia que a gente transformou em estabelecimento comercial“, lembra Juliana.

“Aí a gente percebeu que, em muitos restaurantes, as pessoas não querem subir escada para comer, ainda mais nesse conceito de refeição rápida. Elas querem mais praticidade. Então, a gente colocou a parte de funcionários e operacional no segundo andar — joguei a cozinha lá pra cima, vestiário, tudo. O cliente não sobe. Fiquei com um espaço bem amplo na parte de baixo”, completa.

Projeto desenvolvido pela arquiteta Juliana Silva

Seja criativo dentro do orçamento

“A gente tenta sempre fazer o melhor projeto dentro do que o cliente tem disponível para investir no espaço dele”, reflete Juliana. “A gente tem infinitas possibilidades.

Tem coisas muito caras, que podem inviabilizar um projeto, então a gente tenta adequar um produto de qualidade, não abrimos mão dela, ao que é melhor em custo-benefício”.

Exemplos de criatividade não faltam, e tudo muito bem-executado. Juliana utilizou peças hexagonais de revestimento Six Argent. Originalmente, eles foram comprados apenas em tons de cinza, mas Juliana os adaptou ao laranja do logo do restaurante. Bastou uma pintura epóxi.

Nathália Montans também fala como o cuidado com os materiais e a ambientação do espaço podem trazer uma ideia de sofisticação e mudar até o humor de quem o frequenta:

“Quando você já sabe que o restaurante tem uma arquitetura diferente, sai com outra vontade de estar lá, já chama os amigos, já muda seu estado de espírito. A arquitetura reflete diretamente nisso, tanto numa casa quanto no comércio.”

E você, tem alguma experiência interessante com arquitetura em restaurantes? Compartilhe este post nas redes sociais com uma descrição do que mais acha importante considerar nesse tipo de projeto!

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