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Casa Calha, do naE: Núcleo de Arquitetura Experimental, foi concebida sob as regras do programa Minha Casa Minha Vida (foto: Alexandre Prass/Divulgação)

Casa Calha, do naE: Núcleo de Arquitetura Experimental, foi concebida sob as regras do programa Minha Casa Minha Vida (foto: Alexandre Prass/Divulgação)

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Arquitetura é para todos?

11/06/2018

Como transformar um slogan bonito em realidade? Gestões públicas comprometidas com a causa, disseminação de conhecimento, vontade política e legislações corajosas, são apenas alguns pontos para acelerar o passo pela real democratização da arquitetura.

No Brasil em que a maioria da população acredita que arquitetura é exclusividade para os mais abastados, não atingimos ainda um nível desejável de democratização da disciplina. Apesar de 70% da população declarar que contrataria um arquiteto para construir ou reformar, apenas 7% já o fez. Boa parte dos brasileiros sequer sabe as reais atribuições de um arquiteto e urbanista.

Entre os que já contrataram um profissional, 80% consideram-se satisfeitos e indicariam a contratação para amigos. Já a maior parte daqueles que reformaram ou construíram sem projeto arquitetônico, com serviços diretos de pedreiros ou mestres de obras, arrependeram-se.

Projeto Transversais, do CODHAB em Brasília, que conta com 20 escritórios de arquitetura voluntários (Foto: Codhab/Divulgação)

Esses números, provenientes de pesquisas realizadas pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), reforçam a ideia de que nosso país ainda se encontra distante do slogan: Arquitetura, até o momento, não é para todos.

O CAU/BR, nesse sentido, vem imprimindo um esforço hercúleo para virar esse jogo, e alguns exemplos pontuais podem servir de exemplo na esfera privada. No intuito de estimular a produção de arquitetura social no Brasil, desde 2017 o Conselho e seus regionais destinam 2% de seus orçamentos anuais para a chamada Assistência Técnica em Habitações de Interesse Social (ATHIS). Na prática, esses recursos permitem a criação de programas para melhoria na qualidade de vida das famílias com renda inferior a três salários mínimos. Para estimular esse debate, diversas ações vêm sendo divulgadas no endereço eletrônico do CAU/BR, em campanha para que arquitetos de todo o país contem suas histórias sobre realizações na área. A cada semana, uma nova história é publicada.

Durante um mês, arquitetos visitaram as regiões beneficiadas e fizeram levantamento técnico nas casas de famílias indicadas (Foto: Codhab/Divulgação)

O Laboratório de Projetos, na cidade de Goiás (GO), utiliza verba estabelecida pelo CAU/BR para reformar residências de famílias carentes via programa de assistência técnica (Foto: Divulgação)

Entre elas, está o Laboratório de Projetos, na cidade de Goiás (GO). O projeto, com apoio da prefeitura local, envolveu metodologias participativas para reformar residências de famílias carentes. Na experiência, os moradores fotografam as casas e indicam suas necessidades, para posterior reunião com equipe de arquitetos que fazem os projetos e acompanhamento da obra.

Além dos programas do CAU, existem outros bons exemplos de ações em arquitetura social. Em Brasília, o Programa de Assistência Técnica da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB) criou o Projeto Transversais, com adesão de 20 escritórios de arquitetura que cederam projetos de melhorias habitacionais na periferia da capital brasileira. Na capital baiana, desde 2001 funciona o Escritório Público de Salvador, que já entregou mais de 5 mil projetos destinados a famílias de baixa renda, em parceria com faculdades locais de arquitetura. Trata-se de um ateliê-escola, com estudantes supervisionados por arquitetos da prefeitura e assistentes sociais. Além do benefício às famílias, gera crescimento profissional aos jovens participantes.

O arquiteto Márcio Barreto criou o Arquitetura do Barreto, escritório que faz projetos de reforma a preços populares (foto: Divulgação)

No âmbito privado, exemplos recentes de arquitetura economicamente acessível também são dignos de registro. Movido por essa lacuna, o arquiteto Márcio Barreto vislumbrou uma oportunidade e assim formatou o plano estratégico de seu escritório. Criou um programa de consultoria para reformas, a preço popular. Em uma visita de duas horas, o profissional entende o partido, tira medidas e cria um modelo 3D. Caso o cliente opte por receber o projeto executivo e acompanhamento da obra, Barreto faz uma análise de orçamento viável.

A casa da Vila Matilde possui estrutura e blocos aparentes, possibilitando baixo custo, maior controle e agilidade (Foto: Pedro Kok/Divulgação)

Outro caso exemplar recebeu destaque recentemente na grande mídia nacional. Além dos veículos especializados, a Casa da Vila Matilde, do escritório Terra e Tuma, virou uma espécie de garota propaganda de arquitetura social. Com sua residência prestes a ruir, uma diarista idosa relutou mas acabou por ouvir o conselho de seu filho e investiu suas economias em um projeto arquitetônico completo. O resultado é um oásis em meio às ruas do bairro, uma residência com projeto eficiente e econômico.

Menos conhecida, a Casa Calha, em Guaíba (RS), projeto do escritório naE: Núcleo de Arquitetura Experimental, foi concebida sob as regras do programa Minha Casa, Minha Vida. Um projeto a preço popular, porém funcional, esteticamente atraente e com grande qualidade arquitetônica.

Blocos, lajes pré-fabricadas e caixilhos de alumínio são materiais básicos utilizados no econômico programa (Foto: Pedro Kok/Divulgação)

O projeto da Casa Calha transcende as limitações do programa Minha Casa, Minha Vida e contempla conceitos da arquitetura contemporânea (Foto: Alexandre Prass/Divulgação)

De forma tímida, mas anos-luz à frente do cenário de uma década atrás, o conceito de arquitetura pelo bem-estar social é um caminho auspicioso a seguir. Em ano de eleições, vale buscar candidatos que tenham esse objetivo entre suas propostas. Acredite, eles existem.

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