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Arquitetura Bizantina

Hagia Sofia, a mais emblemática e importante construção da arquitetura bizantina, situada em Istambul, na Turquia (Foto: Dennis Jarvis)

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Arquitetura bizantina: fusão das culturas helênica e oriental

18/06/2021

Conheça mais sobre a arquitetura bizantina: história, preceitos e expoentes, além de dicas para se inspirar nesse estilo em seus projetos!

O Império Bizantino foi responsável por trazer inúmeras inovações à sociedade e influenciar diretamente o nosso modo de ser. E a arquitetura bizantina não foi diferente.

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Igrejas, monastérios e fortificações são as construções mais comuns dessa época. Foi dos bizantinos que herdamos questões construtivas importantes, como a alvenaria ornamental, a arte decorativa (mosaicos e afrescos) e a cúpula ou domo pendentivo.

Quer descobrir mais sobre a arquitetura bizantina? Embarque conosco nessa viagem histórica!

Como a arquitetura bizantina surgiu?

A arquitetura bizantina nasceu com o Império Bizantino — iniciado após a queda do Império Romano do Ocidente, por volta do século V. A capital era Constantinopla, cujo nome anterior era Bizâncio e que, atualmente, é Istambul, na Turquia.

No início, as construções do Império Bizantino eram muito influenciadas pelas edificações romanas. Contudo, a partir do século VI, a arquitetura bizantina começa a evoluir e a ditar os seus preceitos de forma independente.

Como toda a arte bizantina, a arquitetura é uma fusão das culturas helênica e oriental, mas com uma identidade própria. Infelizmente, pouco restou dela nos nossos dias. Para estudarmos essas construções, nos baseamos nas basílicas, erguidas a partir do ano 330.

Ainda que Constantinopla fosse o centro da arte bizantina, a sua difusão se estende por todo o território dominado pelo império, como Grécia, Ásia Menor, países balcânicos, Rússia e Itália.   

A produção mais marcadamente bizantina ocorre entre os séculos IV e XII.

Império Bizantino

Para entendermos melhor a arquitetura bizantina, precisamos compreender também a formação e a importância do Império Bizantino. Ele nasceu a partir da expansão do Império Romano para o sudoeste da Europa e da África.

Como os territórios conquistados pelos romanos tinham uma grande diversidade cultural, o processo de adaptação era lento e problemático.

Na Europa Oriental — que também era dominada pelos romanos —, a situação era mais fácil, porque eles já contavam com uma organização bem estruturada, principalmente porque os povos do Mediterrâneo já estavam culturalmente unificados devido ao antigo Império Macedônico e às influências gregas.

Arquitetura Bizantina
Interior da Basílica de San Vitale de Ravenna decorado com mosaicos característicos da arquitetura bizantina (Foto: Isatz)

Várias vezes houve tentativas de divisão entre o poder romano do leste e do oeste, para facilitar a organização do império, mas sem sucesso.

Império Romano Medieval

É importante explicar que o império nunca deixou de ser romano. Porém, para facilitar o entendimento, os historiadores modernos criaram o termo “Império Bizantino” para designar o Império Romano Medieval, conforme ele evoluiu como uma entidade cultural e artística distinta, centrada na nova capital, Constantinopla, e não em Roma e seus arredores.

Em 293, Diocleciano conseguiu realizar uma divisão entre os impérios do leste e do oeste, criando a tetrarquia, sistema de dois imperadores e dois césares. Após a sua morte, contudo, essa organização entrou em colapso. Quando Constantino chegou ao poder, ele unificou o império novamente, mas o trabalho só foi concluído em 313.

Em 330, Constantino mudou a capital do império para Bizâncio, que se situava em um local estratégico para o comércio, entre a Ásia e a Europa e com conexão com o Mar Negro e o Mediterrâneo.

Entre as mudanças implantadas por Constantino estava a revolução das estruturas de Bizâncio, que passou a se chamar Constantinopla. Foi o renascimento da cidade que marcou o início da arquitetura bizantina. Como a maioria dos habitantes era romana, os princípios usados foram os das arquiteturas romana e grega.

O Império Bizantino perdurou por mais de um milênio. A sua arquitetura influenciou sobremaneira a Europa e o Oriente Próximo, se tornando a principal precursora das tradições arquitetônicas renascentista e otomana, que se seguiram após o colapso.

Quais são os princípios da arquitetura bizantina?

A arquitetura bizantina é marcada pela presença das diferentes influências estéticas recebidas pelo Império Bizantino, além do desenvolvimento da engenharia e de técnicas construtivas arrojadas, especialmente com a difusão de novas formas e tipologias de cúpulas.

Vista interna da Hagia Sofia mostrando o topo da cúpula principal
Vista interna da Hagia Sofia mostrando o topo da cúpula principal (Foto: Christophe Meneboeuf)

O destaque dessa arquitetura, sem dúvida, fica com as igrejas, com cúpulas cada vez mais exóticas e mosaicos extremamente ricos.

A maioria das igrejas da época foi construída com cúpulas altas e com vastos espaços abertos no centro, o que aumentava a luminosidade.

Os mosaicos também são marcas características da arquitetura bizantina, responsáveis por trazerem luz e calor aos corações das igrejas. As decorações e narrativas eram bastante comuns.

Outras características marcantes

Outras características marcantes das construções do Império Bizantino são:

  • uso estrutural de pendentes para elevar as cúpulas. Com essa técnica inovadora, uma cúpula conseguia subir do topo de um cilindro vertical, como um silo, ganhando altura. O método também é chamado de domo pendentivo e permite colocar um domo circular sobre um espaço quadrado ou um domo elíptico sobre uma área retangular;
  • ícones, pinturas realizadas diretamente em madeiras. São quadros que representam figuras sagradas como Cristo, a Virgem Maria, os apóstolos, os santos etc. Eram bastante luxuosos e venerados nas igrejas, embora também estivessem presentes em oratórios familiares;
  • colunas com inspirações coríntias e jônicas, além de colunas compostas, que surgiram durante o Império Bizantino superior e combinavam as duas. Outra bem comum é a coluna com blocos decorativos, inspirados nos desenhos do Oriente Médio;
  • as igrejas bizantinas originais são quadradas com uma planta central, inspiradas na cruz grega (crux immissa quadrata), ao invés da cruz latina (ordinaria crux) das catedrais góticas;
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Detalhe de uma coluna na Igreja de Santa Sofia que demonstra as características bizantinas (Foto: Fusions of Horizons)
  • móveis de madeiras preciosas, como camas, cadeiras, bancos, mesas, estantes etc. e objetos de decoração, como taças de prata e de ouro ricamente decoradas com belos relevos;
  • também utilizavam outros materiais, como tijolos e pedras, não apenas mármore, como na antiguidade clássica;
  • interiores das igrejas revestidos de mármore ou outra pedra e algumas colunas também produzidas em mármore;
  • linhas sinuosas e formas naturalísticas (precursoras do estilo gótico);
  • arco redondo.
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Mosaico presente na Igreja de San Vitale, em Ravenna, retratando o imperador Justiniano (Foto: José Luiz Bernardes Ribeiro)

Quais são os principais expoentes?

Ainda que não restem muitos exemplares da arquitetura bizantina, os poucos que temos são realmente impressionantes. Vamos ver alguns deles.

Catedral de Santa Sofia

Sem dúvida, quando falamos em arquitetura bizantina, o principal expoente é a Catedral de Santa Sofia (Hagia Sofia ou sagrada sabedoria), localizada em Istambul.

Ela foi edificada por ordem do imperador Justiniano. O início da construção foi em 532 e o seu término em 537.

Justiniano contratou dois matemáticos para realizar o projeto: Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto.

Visão externa da Igreja de Santa Sofia, um dos mais impressionantes expoentes da arquitetura bizantina
Visão externa da Igreja de Santa Sofia, um dos mais impressionantes expoentes da arquitetura bizantina (Foto: Arild Vagen)

A sua estrutura se assemelha a uma basílica romana, com uma forma retangular e um grandioso domo central, o qual, diferentemente do Panteão, conta com quatro arcos que formam um quadrado capaz de sustentar pendentes de abóbadas esféricas, que, por sua vez, apoiam o imenso domo.

A base do domo é vazada por 40 janelas em arco, que permitem a entrada de luz e dão leveza à estrutura, oferecendo aos visitantes a ilusão de um halo celestial.

Depois de erguida, Hagia Sofia se tornou a maior e mais imponente igreja do mundo, mantendo o título até a conquista otomana da capital bizantina. Após a queda de Constantinopla, em 1453, a basílica foi convertida em mesquita e usada para serviços religiosos até 1931, quando foi fechada.

Somente em 1935 ela foi reaberta e hoje é um museu.

Basílica Sant’Apollinare Nuovo

Essa basílica está situada em Ravenna, na Itália, e foi construída por Teodorico, o rei dos Ostrogodos, no início do século VI.

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Vista interna da Basílica, situada em Ravenna, com detalhe das colunas e dos mosaicos característicos do Império Bizantino (Foto: Ruge)

Quando a Itália foi conquistada pelos bizantinos durante a Guerra Gótica, Justiniano mandou convertê-la em uma igreja ortodoxa e dedicá-la a São Martinho de Tours, em 561, sob o nome de São Martinho em Céus Dourados.

O nome atual apenas foi dado em meados do século IX, quando ela se tornou o lar das relíquias de São Apolinário.

Ela também abriga os mais esplêndidos mosaicos bizantinos. Por isso, foi tombada como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1996, como parte dos monumentos cristãos primitivos de Ravenna.

Basílica de San Vitale

Também situada em Ravenna, essa basílica começou a ser construída em 526, sob ordem do bispo Eclésio, ainda no reinado do ostrogodo Teodorico, e foi concluída em 548 por Maximiliano, já sob o domínio do Império Bizantino. Ela é considerada uma das criações mais importantes da arquitetura bizantina.

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Fachada da Basílica de San Vitale, uma importante igreja bizantina situada em Ravenna, na Itália (Foto: Rodrigo Soldon)

Uma de suas características marcantes é a presença de mosaicos em todo o interior, tanto nas paredes quanto no teto.

Durante o tempo de sua construção, Ravenna se tornou a capital do Império Romano Ocidental, tornando essa basílica ainda mais significativa.

Para cobrir a igreja, foi usada uma grande quantidade de mármore. Já as cúpulas, típicas da arquitetura bizantina, eram feitas de terracota.

Hagia Irene

Também conhecida como a Igreja da Santa Paz, esse é um dos mais importantes templos do Império Bizantino. Contudo, passou por uma série de mudanças estruturais ao longo do tempo, o que a tornou menos famosa do que Hagia Sofia.

Fachada de Hagia Irene após inúmeras modificações e reconstruções ao longo dos anos
Fachada de Hagia Irene após inúmeras modificações e reconstruções ao longo dos anos (Foto: Alexxx Malev)

Além disso, o seu estilo arquitetônico original foi danificado após um incêndio durante os tumultos de Niká, uma rebelião popular ocorrida em Constantinopla.

Originalmente, a igreja não tinha elementos em forma de cúpula. Porém, por conta da destruição nos tumultos, o imperador Justiniano mandou reconstruí-la e adicionar a cúpula bizantina.

Mais tarde, a igreja teve de ser novamente reconstruída pelo imperador Constantino V, que implementou novas mudanças.

Hoje, ela é uma basílica enorme, com três salas e galerias que se estendem do espaço central em direção ao santuário localizado no leste. Hagia Irene é um museu, mas também é usada para sediar eventos musicais.

Hosios Loukas

A construção é um monastério do século X e se situa na cidade grega de Distomo. É uma das melhores representantes da arquitetura bizantina da Segunda Idade de Ouro do Período Bizantino Médio.

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Interior do monastério ricamente ornamentado com mosaicos bizantinos (Foto: Leeann)

O monastério era famoso em todo o império por conta de sua rica decoração, com luxuosos mosaicos, afrescos e trabalhos em mármore. Além disso, conta com a típica planta em cruz quadrada.

Outros exemplos importantes da arquitetura bizantina são:

  • Catedral de São Nicolau dos Marinheiros (São Petersburgo);
  • Basílica de São João e São Paulo (Veneza);
  • Igreja dos Santos Sérgio e Baco (Istambul);
  • Igreja de São Marcos de Veneza (Veneza).

Como usar a inspiração bizantina em seus projetos?

Já deu para notar a importância da arquitetura bizantina para o desenvolvimento de outros estilos arquitetônicos posteriores, certo?

Se você adora esse estilo e quer reproduzi-lo nos seus projetos, existem algumas possibilidades. A mais comum, é claro, é apostar nos mosaicos, tão característicos dessa arquitetura.

Exemplo de releitura de mosaico com a linha Bonbon, da Portobello
Exemplo de releitura de mosaico com a linha Bonbon, da Portobello (Imagem: Portobello S.A.)

Eles podem aparecer em diferentes composições, brincando com o antigo e o moderno, trazendo um toque único para ambientes e móveis.

Por exemplo, é possível dar um ar sofisticado a paredes e pisos ou até fazer uma releitura em um móvel usando esse detalhe. Um material muito usado atualmente para a composição de mosaicos é o porcelanato.

As colunas bizantinas também estão presentes em várias construções e podem ser repaginadas para diferentes espaços, inclusive na fachada de construções residenciais ou comerciais.

Gostou de conhecer a arquitetura bizantina? Então, aproveite para saber mais sobre a arquitetura do islã!

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