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As pirâmides do Egito são exemplares famosos da arquitetura africana (Foto: Ricardo Liberato)

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Arquitetura africana: diversidade cultural nas construções

20/11/2020

Apesar de existirem poucos registros da arquitetura africana em nosso país, percebemos que se trata de algo com um valor cultural grandioso. Saiba mais!

A arquitetura africana é bastante diversa e distinta, assim como a cultura dos vários povos desse continente. Apesar disso, os estudos desse segmento ainda são um pouco escassos e é difícil compreender como, de fato, o jeito de construir deles contribuiu para as edificações brasileiras.

É o contrário do que acontece com os povos indígenas, por exemplo, que têm uma maior quantidade de registros e pesquisas acadêmicas acerca das contribuições trazidas para a contemporaneidade.

Uma das explicações para a ausência de registros históricos é o preconceito étnico. No Brasil, os povos africanos vieram escravizados e eram proibidos pelos senhores de exercer qualquer manifestação de suas culturas.

Assim como não podiam realizar cultos religiosos para suas as entidades e falar os seus idiomas, entre outras proibições, as pessoas escravizadas também não podiam executar projetos arquitetônicos à sua maneira. Quando faziam, era escondido, e é por isso que existem poucos registros, não apenas em nosso país, mas também em outros nos quais ocorreu a escravidão.

Para saber mais sobre a história, os princípios e as características, bem como conhecer exemplares famosos da arquitetura africana, siga a leitura!

História e curiosidades da arquitetura africana

As cabanas feitas de palha são construções comuns em alguns países da África (Foto: Guswen)

Quando falamos em arquitetura africana, uma das primeiras coisas que vem à cabeça são as pirâmides do Egito. Elas são memoráveis mesmo séculos depois de terem sido construídas, independentemente da origem, tendo em vista que foram desenvolvidas para um contexto funerário.

Os egípcios antigos tinham verdadeiro fascínio pela morte. Em sua cultura, quando uma pessoa morria, partia para a vida eterna e, para isso, o corpo precisava ser preservado por meio da técnica da mumificação. As pirâmides foram construídas justamente para guardar as múmias dos faraós, garantindo a preservação por toda a eternidade.

O tamanho das pirâmides também se justifica pela quantidade de múmias que eram abrigadas. Quando um faraó morria, todos os seus empregados, sacerdotes e animais eram sacrificados e os corpos armazenados junto a ele.

Como a África é o terceiro continente mais extenso, é natural que haja uma grande diversidade na arquitetura de seus países. Além dos egípcios, também se destacam os projetos desenvolvidos por outros povos, como os moradores de Madagáscar, Ruanda, Uganda e Núbia, entre outras localidades.

Para eles, era comum a construção de cabanas, geralmente redondas e cercadas por grandes pátios para separar os complexos. As casas eram feitas de palha e as moradias dos reis tinham esteiras e lareiras feitas com barro no centro.

Princípios da arquitetura dos países da África

O uso de fractais é uma das características mais marcantes da arquitetura africana (Imagem: Wikimedia Commons)

A arquitetura africana se caracteriza por utilizar uma ampla variedade de materiais nos projetos, tais como a madeira, a lama, a palha, os tijolos de barro e as pedras, entre outros.

Entre os mais conhecidos princípios utilizados pelos povos africanos na arquitetura são os fractais, ou seja, objetos em que cada parte reproduz a figura como um todo. Curvas e outras estruturas irregulares, portanto, são muito presentes.

As vilas da maior parte das civilizações antigas africanas se formavam dessa maneira, com um padrão fractal. Ou seja, várias comunidades se desenvolviam próximas umas das outras, adotando o mesmo formato, com a casa do rei ou líder no centro e dos subalternos em volta.

Todas as comunidades juntas formavam a mesma figura que elas representam individualmente. Isso pode ser muito bem observado na Vila Bai-la, localizada no sul de Zâmbia, que adota esse formato.

Uma curiosidade é que os africanos até hoje costumam adotar os traços fractais não apenas na arquitetura, mas também na moda, na decoração etc. Exemplo disso são os penteados, com tranças feitas desde a raiz seguindo um mesmo padrão.

Contribuições da arquitetura africana em projetos do Brasil e do mundo

A Ponte de Pedra, ponto turístico de Porto Alegre, é um exemplo de manifestação da arquitetura africana no Brasil (Foto: Gustavo Alves Silva)

Como explicamos, os vestígios da arquitetura africana são pouco evidentes no Brasil, por conta da ausência de registros históricos. O mesmo acontece em outras partes do mundo, em que africanos escravizados eram impedidos de manifestar as suas culturas.

Outros aspectos culturais — como a culinária, o artesanato, as religiões etc — são bastante evidentes. Isso porque essas tradições eram mantidas às escondidas e passadas entre as gerações por meio da oralidade. No entanto, a arquitetura era muito mais difícil de ser executada sem que os senhores percebessem.

No livro Compilações de arquitetura no Brasil, de 1956, o professor e pesquisador João Baptista Pianca, um dos pioneiros nos estudos das raízes da arquitetura em nosso país, é enfático ao afirmar que as características trazidas pelos africanos são praticamente impalpáveis.

Sem dúvida, uma das maiores contribuições da arquitetura africana é o uso de fractais. As repetições de formatos dando origem a uma forma similar estão presentes em algumas edificações contemporâneas.

A Ponte de Pedra, situada no Largo dos Açorianos, em Porto Alegre, é um exemplo disso. Inaugurado em 1854, o projeto foi liderado por João Batista Soares da Silveira e Sousa, que usou de mão de obra escrava não apenas para construir, mas também para projetar a obra.

A ponte tem três pilares em arco, que juntos formam uma espécie de arco maior, trabalhando a questão dos fractais.

Exemplares famosos da arquitetura africana

Agora que conhecemos um pouco mais sobre a arquitetura africana, podemos analisar alguns de seus exemplares mais famosos.

Pirâmide de Quéops

A Pirâmide de Quéops é uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo (Foto: Nina)

Também conhecida como a Grande Pirâmide de Gizé, esse é o exemplar mais antigo das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Historiadores acreditam que o projeto foi desenvolvido entre 2580 e 2560 a.C.

A grande pirâmide utiliza cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra. Registros sugerem que ela foi construída por duas equipes com mais de 100 mil homens, que eram organizados em hierarquias.

Cabanas Lama Musgum

Os desenhos geométricos nas estruturas caracterizam as Cabanas Lama Musgum (Foto: Graphophile)

Localizadas no extremo norte de Camarões, as Cabanas Lama Musgum formam uma vila, em que as casas são altas e têm desenhos geométricos em suas estruturas.

Feitas com barro e palha, as edificações têm um formato de colmeia, trazendo novamente o conceito de fractais. Além disso, todas as casas se agrupam em uma área comum, formando um vilarejo.

Casas Ndebele

As cores das casas Ndebele têm diferentes significados (Foto: Angela Abel)

O povo conhecido como Ndebele se concentra na província de Mpumalanga, um local que é um ponto turístico famoso, tendo em vista a pintura diferenciada das casas.

As comunidades Ndebele usam as cores como símbolos para as casas. Assim, conforme situações ocorrem na família que ali reside, as paredes são pintadas.

Existem cores que avisam que algum morador precisa de orações, por exemplo. Já outras anunciam que uma moça procura casamento, entre outros significados.

Casas de Barro dos Kassena

As mulheres Kassenas são responsáveis pela pintura das casas (Foto: Yanajin)

A vila de Tiebele, no oeste da África, surpreende pelas casas de barro feitas pelos Kassenas. As edificações são construídas com terra, misturada com madeira e estrume de gado. A partir dessa massa são moldadas superfícies verticais e telhados planos.

Geralmente, as construções eram feitas pelos homens da comunidade. Depois de prontas, as mulheres ficavam responsáveis pela decoração, fazendo pinturas coloridas e mosaicos nas paredes externas.

Um ponto interessante é que as casas têm portas de entrada com cerca de 70 cm de altura. Isso se justifica porque os Kassenas eram guerreiros e tinham muitos inimigos. O objetivo, portanto, era dificultar que pessoas de outros grupos entrassem nas moradias para atacá-los.

Eko Atlantic Economic City

A Eko Atlantic Economic, cidade que é planejada na Nigéria, explora a arquitetura africana contemporânea (Foto: Eko Atlantic)

A arquitetura africana contemporânea também se destaca. No entanto, é possível perceber que as características peculiares, como os fractais, se mantêm.

Exemplo disso pode ser visto na Eko Atlantic Economic City, uma cidade planejada no estado de Lagos, na Nigéria.

Realizada em uma parceria público-privada, a cidade tem o objetivo de sanar os interesses da população local, ao mesmo tempo em que pretende se tornar um atrativo turístico para movimentar a economia da região.

A arquitetura africana é muito rica e é uma pena que existam poucos estudos sobre como ela influenciou em projetos no nosso país e outras partes do mundo ocidental. Porém, ao observarmos as obras das civilizações antigas, podemos perceber o quanto os africanos são criativos e muito característicos. Para quem gosta de pesquisa, certamente esse é um tema muito interessante!

Está em busca de mais inspiração sobre a arquitetura africana? Então, recomendamos que você leia agora mesmo o nosso artigo sobre o Afrofuturismo: tecnologia e ancestralidade na arquitetura.

Foto de destaque: As pirâmides do Egito são exemplares famosos da arquitetura africana (Foto: Ricardo Liberato)

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