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Arquiteto Ruy Ohtake comemora parceria junto à Portobello

15/03/2018

“Considero a Portobello uma grande companheira e fico feliz de fazer parte da história dessa empresa que tem garra e sede de fazer acontecer!”, assim afirma o vanguardista da arquitetura e do design contemporâneo, Ruy Ohtake, em entrevista exclusiva e emocionante ao Archtrends Portobello. Acompanhe!

O ícone da arquitetura brasileira, Ruy Ohtake, é parceiro da Portobello de longas datas. Ele colaborou na criação de Concretíssyma, linha de revestimento que reproduz o concreto, material marcante em suas obras, e também assinou os primeiros mobiliários da Officina Portobello, na qual transpôs para o porcelanato as formas curvas, outra forte característica de seu trabalho.

Formado há mais de 40 anos em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), teve como influência sua própria mãe, a artista plástica Tomie Ohtake (Kyoto, Japão, 1913 – São Paulo, Brasil, 2015), e o maior arquiteto moderno brasileiro, Oscar Niemeyer (Rio de Janeiro, 1907 – Rio de Janeiro, 2012), que também foi seu mestre e grande amigo.

Já concluiu centenas de projetos, muitos deles ganharam prêmios internacionais e se tornaram verdadeiros cartões postais. Só em em São Paulo se destacam o Parque Ecológico do Tietê e os hotéis Renaissance e Unique, que, inclusive, foi palco de eventos promovidos pela Portobello na semana da feira Revestir 2018.

Hotel Unique, São Paulo

Hotel Unique, São Paulo

As obras na favela de Heliópolis, o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, o grandioso Santuário Theotokos, inaugurado pelo padre Marcelo Rossi, e as obras estrangeiras, como a Embaixada Brasileira em Tóquio e o Museu Aberto da Organização dos Estados Americanos, também evidenciam a importância de Ruy Ohtake na arquitetura brasileira e internacional.

Embaixada Brasileira em Tóquio, Japão. Fonte: jojoscopenet

Embaixada Brasileira em Tóquio, Japão. Fonte: jojoscopenet

 

Obras de Ruy Ohtake na favela de Heliópolis. Foto: Edson Lopes Jr.

Com 80 anos de idade, sempre esteve à frente do seu tempo. Mostra que é possível concretizar sonhos, transformar projetos em espaços de vivência coletiva, unindo sempre a estética à função social. Acompanhe, a seguir, seu pensamento sobre a arte, arquitetura, além de sua parceria há mais de 15 anos com a Portobello!

A ligação com a arte esteve presente em sua vida desde cedo. Sua mãe, uma artista plástica japonesa naturalizada brasileira, foi uma das principais representantes do abstracionismo. Como a arte no meio familiar pôde intervir em sua profissão?

À medida que eu fui trabalhando, fui desenvolvendo o meu lado artista. Eu queria sempre ousar, inovar. De certa forma, fui influenciado pela minha mãe, sim. Lembro que passava pelo seu ateliê e ficava observando e refletindo sobre suas artes figurativas, depois sobre suas obras com elementos mais orgânicos e cheios de cores. Meu irmão Ricardo e meu filho Rodrigo também são arquitetos, então vivíamos nos reunindo e isso nos conectou artisticamente também. Além disso, sempre pensei na arquitetura com o objetivo de deixar uma cidade mais interessante, relacionando de alguma forma o ambiente à arte. Então, fui desenvolvendo minha expressão artística, com uma característica mais curvada. Fiz vários projetos e cheguei a concretizar a da embaixada do Brasil em Tóquio, uma das minhas grandes obras internacionais. Hoje eu acredito na arte como obra a construir.

Sua arquitetura inovadora e audaciosa privilegia a convivência social. O senso colaborativo, tão atual nos dias de hoje, sempre inspirou suas criações. O que a arquitetura, de fato, representa na sociedade e qual o papel do arquiteto nesse contexto?

A arquitetura se posta perante o espaço urbano, tornando-se o elemento importante na contemporaneidade de uma cidade. A Estação da Luz em São Paulo é um exemplo disso, construída há centenas de anos, ela ainda é bastante frequentada, abrigando a Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa.

A responsabilidade do arquiteto não fica só no papel, ele tem que ser complementado pela obra construída, porque sempre será um espaço usado por pessoas, e temos que pensar como elas estão se desenvolvendo ou agindo no local. Eu gosto de fazer espaços que proporcionem a intervenção social, de possibilitar que a cidade se torne cada vez mais contemporânea e compartilhada, a exemplo de teatros, escolas, áreas esportivas, portos, parques, e nisso tudo entra o desafio de construir pensando na estética. A arquitetura tem que ser bonita através dos espaços, dos materiais e das cores.

Como esses projetos, que elevam a interação social, e as formas orgânicas tornaram-se características marcantes em suas obras?

De um lado, meu trabalho é desenvolver o diálogo entre as pessoas e de outro é fazer com que os espaços não sejam definidos. Hoje eu não faço mais urbanismo onde aqui é uma zona residencial, e ali é de recreação ou comercial. Temos de entender que tudo numa cidade funciona junto, está interligado. Por outro lado, a arquitetura também tem que provocar uma surpresa e ser inovadora. A exemplo de Einstein, quando todo mundo achava que o universo era reto, ele provou que era curvo. A natureza toda é curva!

Vivemos tempos mais colaborativos e a Officina Portobello, pioneira em desenvolver a alta costura dos porcelanatos no Brasil -, também se expande a partir do processo criativo em parceria com grandes nomes da arquitetura. Como enxerga a criação coletiva para o lançamento de linhas?

Isso significa o próprio enriquecimento de pensamento, a vontade de interagir com uma série de outras atividades. O fato de a Portobello ter criado a Officina com conceito de inovação, construindo produtos a partir de parcerias, traduz a vontade para uma troca de ideias valorosa. A própria evolução do material, nos últimos 20 anos, foi muito em função de permitir esses diálogos. E essas ações criadoras se enriqueceram muito, as atividades multidisciplinares  permitiram cada vez mais uma melhor qualidade, inovação e design nos produtos.

Ruy Ohtake e suas mesas de porcelanato lançadas juntas à Officina Portobello

A Officina Portobello conquistou dois prêmios de inovação recentemente. As curvas sinuosas, as assimetrias e as formas tridimensionais das mesas Sambinha, Frevo, Ímpar, estantes Surf e Redonda foram criações suas que também contribuíram fortemente para esse reconhecimento.  Como foi participar desse projeto?

Para chegar ao resultado, teve uma prévia muito importante que foi a fabricação de uma cerâmica que recebeu o nome de Concretíssyma. Cesar Gomes Junior (presidente da Portobello) me telefonou e fez um desafio: “Precisamos fazer umas peças que lembrem o concreto”. Depois de todo um trabalho, as peças foram criadas e superaram as minhas expectativas. E minha grande satisfação é que, por vários anos seguidos, a linha continua sendo muito consumida. Assim, fomos construindo a parceria com o tempo. E com a tecnologia permitindo fazer curvas em porcelanato, foi possível inovar no segmento dos móveis, com vantagens peculiares: móveis levíssimos, com espessura de 1cm! Por essa facilidade, surgiu a ideia de fazer mesas, luminárias, estantes curvadas, como a Surf, que lembra as ondas. Essa diversidade de possibilidades traduz que nosso limite é a criação. E isso me orgulha, ter a liberdade de inovar!

Desde os anos 1960, o senhor trabalha com o concreto, inclusive foi autor da famosa Casa Brutalista, um projeto de grande impacto visual toda revestida com esse material. E sua parceria com a Portobello possibilitou criar porcelanatos com aparência e textura idênticas ao concreto. Como se sente hoje por inovar nesse segmento junto à empresa?

O Concretíssyma foi um trabalho de pesquisa muito forte em São Paulo e no laboratório na fábrica em Santa Catarina. Até hoje uso com bastante frequência esse material, a exemplo do Centro Cultural de Jacareí, no Vale do Paraíba (SP). Eu fiz o projeto e especifiquei o piso de certas áreas com o material que ajudei a produzir. Isso é muito emocionante! E agora em épocas mais recentes, vendo todo esse desenvolvimento que a Portobello está fazendo, inovando em relação ao material e usos para o porcelanato mobiliado, percebo que daqui a pouco poderá abrir uma loja com produtos para uma casa inteira (risos), tamanha é a versatilidade da empresa e como está levando com muito carinho todo esse material para beneficiar o trabalho de arquitetos, artistas e urbanistas. Essa visão da Portobello traz benefício para todo mundo, gera mais emprego, produz lindas peças com auxílio da tecnologia de ponta, preocupando-se, inclusive, com o meio ambiente. É gratificante fazer parte da história da Portobello, uma empresa com garra e sede de fazer acontecer!

Ruy Ohtake posa junto a sua estante Surf, da Officina Portobello

Ruy Ohtake posa junto a sua estante Surf, da Officina Portobello

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