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Arquitetura X Mercado: Designed by Brazil

11/03/2018

Na contramão do mercado exportador brasileiro, baseado em commodities e produtos industrializados de maior complexidade, como aviões e automóveis, alguns escritórios de arquitetura se aventuram no além-mar e obtém reconhecimento no outro lado do globo

São poucos e raros os exemplos contundentes de arquitetos brasileiros com atuação no exterior. Escritórios nacionais, em sua maioria, contam com poucos episódios em seus portfólios, vindos de concursos, contatos diretos ou admiradores. Mas raros são os casos de trabalhos disseminados por outros continentes, e menor o número dos que têm estrangeiros como contratantes – na maioria dos casos, são brasileiros residentes no exterior.

Projeto residencial em Kuantan, na Malásia, do studio mk27. Credito: mk27/Divulgação

Projeto residencial em Kuantan, na Malásia, do studio mk27. Credito: mk27/Divulgação

Grandes nomes da atualidade ganharam terreno em premiações internacionais – como Márcio Kogan, FGMF e Arthur Casas –  e, desses, todos têm experiência consolidada lá fora. São o retrato da arquitetura brasileira “for export”.

O mk27 foi laureado no World Architecture Festival, pela Architectural Review, AZ e Wallpaper Design Award, entre diversas outras premiações de destaque. Hoje, possui mais obras em andamento no exterior do que no Brasil, em países como Portugal, Espanha, Vietnã, Malásia e Bali. Kogan, seu titular, é professor da Politecnico di Milano, e já proferiu palestras no Royal Academy of Arts, AIA, Societé Française des Architects e em universidades em diversos países. Foi quando a revista inglesa Wallpaper mostrou pela primeira vez sua produção, em 2008, que o interesse pelos trabalhos do escritório explodiu. Dois anos depois, em 2010, a hoje famosa residência em Paraty, projetada por ele, foi apontada como casa do ano pela publicação britânica, aumentando ainda mais a visibilidade da produção do estúdio.

Pavilhão do Brasil na Expo Mundial de Milão, em 2015, de Arthur Casas com Atelier Marko Brajovic. Crédito: Fillipo Poli / Atelier Marko Brajovic.

Pavilhão do Brasil na Expo Mundial de Milão, em 2015, de Arthur Casas com Atelier Marko Brajovic. Crédito: Fillipo Poli / Atelier Marko Brajovic.

Arthur Casas, por sua vez, possui filial de seu estúdio em Nova Iorque, e conta com obras nos EUA, Europa e Japão, além de ter sido projetista do Pavilhão Brasileiro na Expo Mundial em Milão, em 2015 – uma atuação pra lá de consolidada no exterior. Já o FGMF, vencedor no Prix Versailles francês, promovido pela Unesco, e do indiano Monsoon Architecture Award (com o edifício Corujas), em 2017, foi responsável por uma pequena intervenção urbana em Minsk – capital da Bielorrússia, e tem projetos em andamento em Portugal e Equador. Adicionando à receita a quantidade de premiações nacionais do trio, certamente virão outros contratantes de fora.

Projeto residencial do FGMF em Estoril, Portugal: primeiras incursões do trio em terras internacionais. Crédito: Divulgação.

Projeto residencial do FGMF em Estoril, Portugal: primeiras incursões do trio em terras internacionais. Crédito: Divulgação.

Além desses exemplos, chama a atenção um caso menos conhecido, mas bastante emblemático, de como o talento brasileiro pode ser exportado: Fernando Brandão, cujo estúdio ficou conhecido pelos projetos da rede de lojas da Livraria Cultura – a unidade localizada no Conjunto Nacional, em São Paulo, emocionou nada menos que José Saramago – e do pavilhão brasileiro na Expo Mundial em Shangai, em 2010, teve uma experiência tão intensa na China que foi convocado a fazer parte do corpo docente da Beijing De Tao Masters Academy. Em contrapartida, teria uma filial chinesa de seu escritório, implantada na própria universidade.

Em Minsk, projeto de requalificação urbana desenvolvido para futura Embaixada do Brasil, também do FGMF. Crédito: Divulgação.

Em Minsk, projeto de requalificação urbana desenvolvido para futura Embaixada do Brasil, também do FGMF. Crédito: Divulgação.

Foi o sucesso do pavilhão brasileiro na Expo – que bateu recorde de público com 2,6 milhões de visitantes – que acendeu a chama da relação de Brandão com os chineses. Ele percebeu que era viável trabalhar com a mão de obra local, que havia calor humano nas terras orientais, e que seu trabalho por lá tinha obtido um grau de reconhecimento que dificilmente vemos por aqui, onde os colegas, no geral, mantêm o clima de competição latente.

De sua prancheta já saíram projetos diversos, geralmente em grandes escalas, para o público chinês: restaurantes, complexos de uso misto, planos urbanos, escolas e centros culturais. O arquiteto passou a ser cultuado pelos locais, proferindo palestras concorridas e colecionando prêmios no país.

Centro de Criatividade e Inovação na cidade de Liyang, na China. Projeto de Fernando Brandão realizado na filial chinesa do estúdio FB+. Crédito: Divulgação.

Centro de Criatividade e Inovação na cidade de Liyang, na China. Projeto de Fernando Brandão realizado na filial chinesa do estúdio FB+. Crédito: Divulgação.

A criatividade e leveza do pensamento arquitetônico brasileiro chama atenção no exterior, um fato conhecido desde Oscar Niemeyer, e que passa pelo reconhecimento e premiações recentes de Paulo Mendes da Rocha. Para aqueles que entendem ser esse um caminho possível e interessante, há tempos que as fronteiras já não são mais limite. O talento também é passível de exportação.

Também do FB+ em terras chinesas, projeto de um Mall em Shangai. Crédito: Divulgação.

Também do FB+ em terras chinesas, projeto de um Mall em Shangai. Crédito: Divulgação.

 

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