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Design planejado para um apartamento garden

16/07/2021

No Living Resort, localizado no bairro do Cambuci, na zona sul de São Paulo, encontra-se um projeto confortável com planejamento inteligente, para tornar o cotidiano de um casal mais prático e prazeroso. Confira o design sustentável e funcional da arquiteta Angélica Hoffmann.

O conceito apartamento garden, também chamado de jardim privativo, lembra muito uma casa, o que o torna mais aconchegante para morar e receber visitas. Em 2020, a arquiteta gaúcha Angélica Hoffmann, que reside na capital paulista, recebeu o desafio de planejar o design de interiores deste tipo de moradia para torná-lo funcional e organizado para o dia a dia de uma jovem família, unindo os espaços a uma estética atemporal e acolhedora.

Originalmente, a planta possui 72 m², porém por ser do estilo garden, tem uma área ampliável de 8 m², permitida através de uma cobertura de vidro.”Esse apartamento garden, localizado no bairro do Cambuci, é diferente dos que estamos acostumados a ver nos prédios de São Paulo, pois ele é direto na terra e todo gramado. É quase uma casa com pátio, uma delícia. O casal tem um lindo cãozinho que aproveita muito o espaço. A planta original é de três quartos, mas o terceiro dormitório foi transformado em escritório e closet”, afirma Angélica.

Transformação da varanda em cozinha gourmet

Como o apartamento é pequeno e o casal tem muitos sonhos, o escritório de Angélica Hoffmann precisou pensar fora da caixa. Eles perceberam que os clientes iriam passar muito mais tempo na ampla varanda do que dentro de casa. Então, tiveram a ideia de transformar a varanda em cozinha-varanda gourmet. “Não vimos sentido em permanecer com a cozinha pequena dentro de casa, com uma lavanderia minúscula, uma sala de jantar apertada, uma sala de TV que caberiam apenas duas pessoas, tendo uma varanda enorme. Então tornamos TODOS os espaços amplos e agradáveis”, explica a arquiteta.

A varanda planejada pela construtora recebeu a ampliação em mais de 8 m². Foi neste espaço que Angélica projetou a cozinha e a sala de jantar, o ponto central do projeto. “Por conta da cobertura de vidro, a iluminação natural toma conta do espaço. Só se acende luz neste ambiente à noite. E ainda acredito que em alguns momentos da noite, em uma dia de lua cheia, nem precisará acender, o que vai deixar o ambiente bem romântico”, acrescenta.

Na cozinha-varanda, Angélica criou uma bancada grande, revestida em lastra Siena Chianti, tornando o ambiente esteticamente belo e funcional. No espaço foram instalados cooktop, lava-louças, geladeira, torre de fornos, ilha com cervejeira, bancada do café, mesa ampla e ainda sobrou um espaço para as visitas se aconchegarem em um sofá. Tudo com um fácil acesso à lavanderia e à sala.

Cozinha vira lavanderia inteligente

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(Projeto em 3D: Angélica Hoffmann)

No lugar da cozinha planejada pela construtora, Angélica criou uma lavanderia mais espaçosa com direito a armário ventilado para calçados, nicho para bolsas, chaves, carteiras, entre outros, ou seja, todos os apetrechos que trazemos da rua. “Como o acesso deste ambiente é colado à porta de entrada, torna esta alteração muito mais inteligente. Assim chega-se em casa, rapidamente guarda bolsas e outros materiais, tira o calçado sujo da rua e já deixa na bancada para limpar, enquanto pega um limpinho no armário e entra em casa sem deixar rastro de bagunça nenhuma!”, aponta a arquiteta.

Mudanças em outros cômodos do apartamento garden

Para criar uma uniformidade nos espaços e cumprir o planejamento de transformar a casa com ambientes acolhedores, a arquiteta elegeu o porcelanato amadeirado Araucária Escura Touch, que possui uma textura natural, dando a sensação de que as fibras da madeira possuem um levíssimo relevo.

A sala, que na planta da construtora se dividia em estar e jantar, passou a ser apenas sala de estar e TV com dois sofás grandes. O banheiro social ganhou o revestimento MS. Barcelona Cristal com uma parede em MS. Barcelona Cristal Vic, que deixou o ambiente bem clean. 

Na suíte, a arquiteta projetou uma penteadeira com gavetinhas, um espelho com iluminação direta e uma mesa lateral à cama, com mais gavetas para que a moradora possa guardar mais acessórios. A cama ganhou cabeceira estofada para dar conforto e painel amadeirado, para aconchegar. O banheiro da suíte recebeu revestimento Oro Bianco, da Portobello. “A cliente adorou o Oro Bianco e eu concordei, um marmorizado mais quente combinava realmente com o casal”, avalia.

No escritório/closet, Angélica desenhou uma bancada para o casal trabalhar, um armário alto para guardar documentos e afins e um armário com portas de correr, pensados especialmente para a rotina deles. E o segundo dormitório ficou guardado para um futuro bebê. 

Para Angélica, o principal desafio foi ousar nas soluções para que conseguisse um resultado muito além do que o casal pudesse imaginar. “Foi um dos primeiros projetos residenciais feitos sem conhecer o casal pessoalmente, pois foi durante o início da pandemia. Mesmo estando acostumada a fazer projetos a distância (temos clientes espalhados por todo Brasil), a maioria das vezes eu fazia pelo menos uma visita ao imóvel e conhecia o cliente pessoalmente. Mas deu supercerto! Fizemos várias reuniões online e nosso primeiro encontro real foi após o projeto aprovado, na loja da Portobello Shop Pacaembu, pois faço questão que os clientes participem da especificação dos revestimentos. E ver pessoalmente a carinha deles de felicidade, não tem preço!”, relata.

Além dos porcelanatos e lastras da Portobello, outras melhorias foram pensadas para tornar o espaço sustentável. Para que a cobertura de vidro não deixasse o ambiente quente no verão, a arquiteta especificou um vidro eficiente com uma película especial para barrar o calor, também pensou na aplicação de persianas de teto, para para um ofuscamento quando houver uma maior incidência solar e evitar condicionadores de ar.

Perfil da arquiteta, amante da natureza

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Arquiteta gaúcha Angélica Hoffmann (Arquivo pessoal)

Angélica nasceu em Santo Ângelo, interior do estado do Rio Grande do Sul. Mora atualmente na capital paulista, cidade onde se formou em Arquitetura, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em 2002. Para ela, a arquitetura, os espaços em que vivemos, influencia diretamente no nosso humor, na nossa rotina. “Penso em cada detalhe para tornar a vida das pessoas mais prazerosa. Isso me faz muito feliz! Para criar meus projetos, me inspiro no estilo de vida dos clientes. Acho que tenho uma boa leitura emocional deles e, pelo feedback que recebo, acredito que consigo traduzir os sonhos nos projetos. Me inspiro também na natureza e, claro, me inspiro em alguns trabalhos realizados por outros arquitetos como Fernanda Marques e Isay Weinfeld.

A arquiteta também é pós-graduada em Construções Sustentáveis, também pela FAAP. A sustentabilidade está diretamente ligada à sua criação (saiba mais por que Angélica se dedica à sustentabilidade). “Meu estilo é criar espaços funcionais e organizados com uma estética atemporal, durável, clean e que possa ser mudada (caso necessário) com o mínimo de recursos possíveis. A Portobello me ajuda muito neste sentido, pois a maior parte dos revestimentos propostos tem a mesma linha de pensamento, da estética atemporal e durável, eu amo!”, afirma.

Ela conta que, como nasceu e cresceu no interior do Rio Grande do Sul, teve muito contato com a natureza. Não passou um só dia de sua vida, até os 17 anos, que não tivesse pisado descalça na grama. Ela morava em uma casa com terreno grande, sempre viu seus pais plantando e construindo hortas. “Colhíamos pêssegos, uvas, limão e hortaliças do nosso próprio terreno. Minha mãe ensinou a mim e minhas irmãs sobre economia de materiais e durante a faculdade as peças foram se encaixando para que um dia eu chegasse a pós de sustentabilidade”, diz.

Angélica é atualmente membro do GBC Brasil, órgão que certifica projetos e obras sustentáveis no Brasil, integrado ao WGBC (World Green Building Council). Este ano a instituição criou o GBC LIFE, que certifica projetos de interiores sustentáveis. “Como meu trabalho é focado em interiores, resolvi me filiar e participar ativamente. Desta forma, consigo certificar minhas obras e dar a garantia de que os projetos são realmente sustentáveis. Sabe quando você só confia no morango orgânico que tem aquele selo “Orgânicos do Brasil”? Os que se dizem orgânicos, mas sem o selo, você desconfia? É a mesma coisa. O GBC dita as regras e faz a auditagem da obra e te entrega um “selo verde” de Interiores Sustentável”, explica a arquiteta.

A arquiteta faz questão de frisar que os maiores prazeres da sua vida são a dedicação à arquitetura e à família. “Sou bastante detalhista e controladora (risos): atendo os clientes, analiso os projetos no escritório e acompanho as obras bem de perto para que tudo saia conforme o desejado e o planejado. Tenho um filho de quase três anos, que enche nosso lar de alegrias e tem me ensinado a ser mãe, a ter paciência e a olhar o mundo por um olhar mais doce. Adoramos ir a parques tomar sol e andar de bicicleta”, conta.

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