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Sala do apartamento depois da reforma (Foto: Mariana Boro)

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Antes e depois: uso de cores transforma apartamento de praia

07/05/2021

Com pouco investimento, arquiteta Gabi Almeida aposta nas cores para atualizar apê para aluguel, em Florianópolis, e provocar sensação de bem-estar.

Nada de monotonia no projeto de reforma de um apartamento na praia dos Ingleses, em Florianópolis (SC). Os 60m² de área receberam uma combinação de cores que renovou completamente os espaços, trazendo frescor e bem-estar ao futuro hóspede. A atualização foi realizada em uma planta para aluguel, com pouco investimento, sem quebra-quebra, e com resultado surpreendente. “A reforma foi baseada nas sensações que as cores trazem, usando tons mais suaves e acolhedores que harmonizam entre si”, diz a arquiteta Gabi Almeida, que desembolsou em torno de R$ 7 mil na reforma. 

 Um ponto de exclamação é o sentimento que chega ao olhar as fotos do antes e depois da reforma. A partir da luz, decodificamos as cores e somos invadidos pelas emoções que elas nos trazem. Na arquitetura, as cores são uma ferramenta essencial para expressar e comunicar desejos e ideias.

Ambientes coloridos têm um poder enorme de causar impacto e transmitir diferentes sensações e apartamentos para aluguel de temporada não precisam ser sem graça”, reforça a arquiteta, que chamou a família para ajudar nessa transformação: ela e o marido pintaram as paredes e a mãe, as cadeiras.

Cores setorizam os espaços

Todas as cores utilizadas fazem parte de uma paleta lançada por uma marca de tintas cuja proposta foi atribuir significado para cada cor. O projeto de interiores da arquiteta utilizou essa paleta para setorizar os espaços e as escolhas foram de acordo com o estímulo que ela gostaria de transmitir. “O foco foi criar blocos monocromáticos em cada ambiente para que os espaços transmitissem diferentes sensações entre si. Também pintamos as portas e os batentes da mesma cor das paredes, em todos os cômodos, para reforçar o efeito”, explica.

Ao abrir a porta do apartamento, o estímulo provocado pelas cores traz a ideia de um lugar delicado, organizado com carinho e atenção aos detalhes. São espaços acolhedores e leves que convidam a permanecer. A própria arquiteta, que é a proprietária do imóvel, confessou que se sente mais acolhida ali do que em sua casa pintada de cinza. Quer argumento melhor que esse para entender a importância das cores no nosso dia-a-dia? Confesso que depois de ver a reforma proposta pela Gabi, desejei pintar todo o interior da minha casa, que também é cinza.

A sala de estar e o jantar integrados apresentam variações de um rosa terroso, que ganha mais luminosidade próximo à porta da sacada. A parede logo na entrada traz o desenho do mapa da Ilha de Santa Catarina, localizando o hóspede na cidade. Na cozinha, a sutileza do verde, cor complementar ao rosa, surpreende e harmoniza todo o espaço. Interessante lembrar que as cores complementares são tons que estão em lados opostos no círculo cromático, criando contraste e um efeito de energia. A paleta escolhida utiliza as cores de maneira menos saturada, em tom pastel, provocando conforto e calma.

Nos quartos, o azul do mar está presente de diferentes maneiras. Na suíte, a suavidade da cor transmite tranquilidade ao ambiente de dormir. Já no segundo quarto, a escolha foi por dois tons de azul análogos, fortes e vibrantes.

Quando o assunto são as cores, Gabi tem como referência os designers Nicole Tomazzi e Sérgio Cabral, com quem fez curso sobre cores e conheceu o ateliê deles, o Plano Avesso, em São Paulo (@planoavesso). E não poderia faltar o diretor criativo, cenógrafo e consultor de cores Michell Lotte, para quem as cores são uma brincadeira. Vale a pena conhecer a casinha de vila onde ele mora, reformada a partir das cores (@lottlott). 

#ficaadica: “As cores como antídoto”, estudo que ele fez com uma marca de tintas, agora tem álbum no Spotify com o mesmo nome, com músicas inspiradas nesse trabalho.

Artesanato regional

Somente o recurso das tintas já configura uma mudança radical na percepção do espaço. Mas Gabi também substituiu alguns móveis como mesinhas laterais, estofado antigo, vasinhos de planta e inseriu objetos decorativos a partir de um garimpo do artesanato nacional e regional. 

apartamento de praia
Gabi Almeida faz uma seleção de objetos com referência na cultura popular. Casinhas do Ateliê Johannes Lacerda, em Porto Belo, Santa Catarina (Foto: Mariana Boro)

Admiradora da cultura popular, a arquiteta criou uma maneira de fazer com o que o hóspede leve esse patrimônio material para além das fronteiras regionais ao colocar as peças decorativas à venda. “A ideia veio da minha própria experiência, pois sempre que viajo e curto a estadia, geralmente me encanto com algumas peças. Por isso a vontade de realizar essa curadoria e disponibilizar para que os hóspedes as comprem”, conta Gabi. Ela inseriu em seu escritório o serviço de produção e finalização de projetos de interiores, pouco difundido no contexto da cidade mas já muito utilizado em São Paulo e em mostra de decoração no centro do País, cuja referência é o consultor de estilo e produtor Aldi Flosi. 

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Arquiteta Gabi Almeida (Foto: Mariana Boro)

Sugestões Portobello da Gabi

Como boa viajante, Gabi diz que gosta muito da linha Horizontes, desenvolvida pelo jornalista Pedro Andrade. “Inclusive essa linha tem as cores desse projeto”, afirma. Outra sugestão da arquiteta é a linha Liverpool. “É super versátil e permite usar cores e paginações diferentes e a Casablanca é mais uma que acho maravilhosa e versátil”, diz.

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