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Alejandro Aravena: conheça a história de um dos principais arquitetos da América do Sul

19/08/2019

Arquiteto chileno é conhecido por seus projetos de construção socialmente conscientes e tenta reduzir o impacto da desigualdade econômica em áreas urbanas. Em 2016, ele se tornou o primeiro chileno a ganhar o Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura.

Se você ganha mais do que seis dólares por dia, pode se considerar privilegiado, pois tem acesso a pontos básicos de dignidade e qualidade de vida que grande parte da população mundial ainda não pode experimentar. Até o ano de 2020, calcula-se que um bilhão de moradores de cidades ao redor do mundo estará vivendo abaixo da linha da pobreza. Um cenário que exigirá dos governos iniciativas de construções populares com dignidade.

Foi encarando essa realidade que o arquiteto chileno Alejandro Aravena construiu sua carreira, desenvolveu projetos e os ofereceu para o mundo, ganhando notoriedade em todos os continentes. Vale conhecer um pouco mais de sua história e seus feitos.

Breve biografia de Alejandro Aravena

Alejandro Aravena nasceu em Santiago, no inverno chileno, em 22 de junho de 1967. Concluiu seus estudos de arquitetura em 1992, pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago. E dois anos depois ele começou a participar de uma série de projetos de construção para a universidade, incluindo a escola de matemática (feita em 1999), as escolas de medicina e de arquitetura (ambos de 2004) e o centro de tecnologia, uma estrutura que parece ser dois edifícios conjugados e assim apelidados de “Torres Siamesas” (2005).

Com grande destaque, entre os anos de 2000 a 2005, Aravena foi convidado para lecionar na Harvard Graduate School of Design, em Cambridge, Massachusetts, EUA. Enquanto vivia em Cambridge, fez parceria com o engenheiro de transporte Andrés Lacobelli para criar a Elemental (em 2001), para projetos arquitetônicos que teriam um impacto social duradouro: edifícios cívicos, espaços públicos, iniciativas de infraestrutura e transporte entre outras.

Para construir esses projetos habitacionais, Aravena trabalhou diretamente com as pessoas para as quais o espaço foi projetado. A fim de garantir o sucesso do produto final, Aravena ingressou no primeiro projeto desse tipo em 2003, na cidade de Iquique, no norte do Chile.

Aravena também esteve em foco quando se envolveu na reconstrução da cidade de Constitución, logo após o terremoto e tsunami no Chile, ocorrido em 2010. O arquiteto construiu a chamada Habitação Villa Verde (2013), também baseada no projeto de “incremental housing”, além de criar um passeio à beira-mar (2014) e o Centro Cultural de Constitución (2013–15).

Incremental housing: um conceito inteligente de moradia popular

alejandro aravena

Aravena e o grupo Elemental são conhecidos por construírem um conceito chamado “incremental housing”, ou moradia incremental, uma forma de moradia que, ao mesmo tempo em que é básica e acessível, está em locais urbanos economicamente vibrantes e pode ser aprimorada.

Esse tipo de moradia é realizado em parte com subsídios do governo. A literatura apresenta diferentes termos ​​para a descrição de métodos de construção como esse, fala-se em “moradia de autoajuda”, “moradia de autoajuda assistida”, “moradia autogerida” e “moradia incremental”.

A construção dessas moradias incrementais é um método de construção praticado em todo o mundo por milhões de famílias individualmente. Desde a década de 1950, há um reconhecimento no meio sobre a importância da habitação de autoajuda na produção habitacional.

Milhões de famílias teriam que usar seu próprio trabalho, conhecimento, materiais e economias para a construção de suas casas, ou de outra forma, têm que procurar por uma instalação de aluguel. No último caso, geralmente é o mercado de aluguel privado que fornece abrigo, porém a preços altos — de mercado. Por isso, a ideia da habitação incremental é colocada em prática.

Na fase inicial, as residências autoconstruídas podem ser muito simples e consistem regularmente em materiais residuais e materiais de construção usados. Nas fases posteriores, as casas são melhoradas e expandidas, passo a passo, pelos próprios habitantes. Alguns governos locais e nacionais apoiam essa autoconstrução de casas. Quando este é o caso, pode-se falar em “habitação de autoajuda assistida”.

Desde a década de 1970, algumas instituições internacionais, como o Banco Mundial e o UN-Habitat, reconhecem o papel vital da habitação de autoajuda no fornecimento de soluções habitacionais acessíveis para quem vive em situação de pobreza nos centros urbanos. Porém, até hoje, as cidades do mundo em desenvolvimento foram construídas em grande parte com base em atividades informais de autoconstrução.

Com base no reconhecimento do potencial e capacidade dos autoconstrutores para enfrentar os desafios urgentes da habitação, as instituições internacionais começaram a desenvolver ferramentas para políticas públicas de habitação a fim de ajudar a solucionar essa questão.

Encarregada de projetar moradias, na cidade de Iquique, para 100 famílias com fundos nominais fornecidos pelo governo chileno, a Elemental de Aravena desenvolveu um conceito inovador.

Assim, puseram em prática o que ficou chamado de “half a good house” (“metade de uma boa casa”, em tradução livre) para cada família, fornecendo estrutura e fundação de concreto, com uma cozinha e um banheiro, além de espaços entre as casas para que as famílias pudessem adicionar quartos conforme necessário e financeiramente viável.

O resultado de projetos como esses é uma vizinhança em constante mudança, e com investimentos contínuos. Os valores da habitação aumentam em vez de diminuir, situação exatamente oposta ao que acontece na maioria dos projetos habitacionais de baixa renda.

Principais obras e engajamento

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São muitas as obras de destaque de Alejandro Aravena. Entre elas estão os prédios ecoeficientes da Universidade Católica do Chile, localizados em Santiago. Também na lista se encontram o Centro de Inovação – Anacleto Angelini (2014) e as Torres Siamesas (2005).

Para as Torres Siamesas, foi pedido que fossem de vidro. Para isso, Aravena adaptou o material selecionado ao clima chileno e, assim, criou uma cobertura, enquanto por dentro projetou outro edifício com eficiência energética, que possibilitasse a passagem de ar entre as duas superfícies.

Seus projetos de habitação social, como os de Iquique, no Chile (2004), não fogem à lista. Aravena também foi o responsável pelos dormitórios da Universidade St. Edward (2008) em Austin, Texas, nos Estados Unidos, e a reconstrução da cidade de Constitución depois do terremoto de 2010.

No município de Santa Catarina, no México, estão as moradias de Monterrey, que fazem parte do primeiro projeto do arquiteto fora do Chile, em 2010. A pedido do governo estadual de Nuevo León, foram feitas 70 moradias que se idealizaram em forma de prédios contínuos de três andares. O primeiro é uma casa e, os outros dois, apartamentos de dois andares.

Aravena ainda tem como destaque sua Escola Montessori (2001), em Santiago no Chile, e a Chairless, faixa que, ao ser presa ao redor do corpo, pode substituir cadeiras (2010). As Moradias de Villa Verde, no Chile, foram construídas em 2013 e projetadas por Aravena.

Num gesto de solidariedade e interesse pelas questões que ultrapassam a arquitetura, Alejandro Aravena disponibiliza, de forma gratuita, quatro dos seus projetos de moradias populares mais famosos. Assim, ele possibilita o uso e adaptação livres de seus projetos por qualquer pessoa interessada. Basicamente, tornando mais simples a criação e recriação de moradias populares de boa qualidade.

Aravena fez esse anúncio em Nova York, durante um debate com os vencedores do prêmio Pritzker, na sede da ONU (Organização das Nações Unidas). Para ele, os arquitetos devem trabalhar em cooperação com o foco em amparar ondas como as migratórias que têm acontecido no mundo todo.

O “Nobel da arquitetura”

Em alguma estante de sua casa, Aravena deve ter dificuldade de limpar tantos prêmios e homenagens.

Graças ao seu trabalho que une criatividade, desenvolvimento estético e o cuidado social, Aravena foi vencedor do Pritzker Prize em 2016. Prêmio considerado o reconhecimento mais importante para os arquitetos, comparado a um “Nobel da arquitetura”.

A honraria é oferecida todos os anos a profissionais de arquitetura cuja obra finalizada “tenha produzido significativas contribuições para a humanidade ao longo dos anos”, segundo explica a organização responsável. Por esse motivo, a homenagem é atualmente direcionada a pessoas, e não a escritórios, como já ocorrido em outros anos.

Aravena utiliza tais conquistas para impulsionar os projetos que tem em solidariedade com o mundo. Assim, o arquiteto espera que suas iniciativas indiquem para chefes de governo e para o mercado que a habitação popular pode ser acessível. E que serve também como inspiração para outros arquitetos.

E se você gosta de conhecer profissionais como Aravena, vale a pena ler o nosso conteúdo sobre o multitalentoso Ai Weiwei, exposição que já passou pelo Brasil este ano.

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